27.06.07
Adorador sem face
“Mas agora tragam-me um harpista. Enquanto o harpista estava tocando, o poder do Senhor veio sobre Eliseu.” (II Reis 3.15)
Aqui temos a história de um musico desconhecido. Ele só aparece nesse versículo. Mas seu nome sequer aparece; nem tampouco quantos CDs já gravou, se tocou com fulano ou beltrano ou de qual igreja ele faz parte. Mas o texto mostra que, enquanto ele tocava seu instrumento, veio o presença de Deus sobre o profeta, que predisse a vitória de Israel sobre os moabitas – um fato histórico muito importante. Mas o profeta sabia da importância de ter um tangedor naquele momento.
Ele poderia ter chamado um dos famosos. Entretanto, foi chamado aquele que ninguém conhecia, mas que quando tocava, Deus não resistia e comparecia para estar com ele. Hoje podemos ver gente se promovendo, dizendo que já gravou tantos cds, que tocou com o “famoso”, que ministrou com o “ungido”, que foi guitarrista do “cara” ou que ministrou diante de milhares de pessoas. Mas tenho certeza que Deus não fica nem um pouco impressionado com a nossa fama diante dos homens.
Eu imagino que aquele tangedor devia estar acostumado com o fato de que quando ele tangia seu instrumento Deus vinha ao seu encontro. Imagino também que a casa deste tangedor devia ser constantemente inundada com a presença do Senhor. Hoje, porém, vejo muitas pessoas dizendo que são “adoradores sem face”, mas no fundo a maioria quer ser reconhecida e aceita pelos homens, falando de si mesmos. É como um jogo de poder: quem é mais ungido, quem vende mais CDs, quem ministra para mais pessoas. quem faz a musica mais “louca”, quem faz o culto mais demorado. É a turma dos “famosos detentores do poder de Deus”.
Temos também o exemplo de Davi, quando ainda não era rei: um tangedor desconhecido, um pastor de ovelhas, que conhecia bem a presença de Deus. Imagino Davi tocando sua harpa no horário de descanso, quando as ovelhas já estavam satisfeitas, ao cair da tarde. Na época, Davi não era conhecido nem popular; não era o “musico da moda evangélica da hora”. Mas quando ele tocava, mexia com o mundo espiritual. O fato de alguém atrair a presença de Deus é motivo de preocupação no inferno. O diabo também não está preocupado com a nossa fama diante dos homens, mas ele se preocupa quando Deus aparece na área. Se atrairmos a presença do Senhor, vamos fazer com que o diabo bata em retirada.
“Sempre que o espírito mandado por Deus se apoderava de Saul, Davi apanhava sua harpa e tocava. Então Saul sentia alívio e melhorava, e o espírito maligno o deixava.” (I Samuel 16.23) Se aparecer uma pessoa endemoninhada na nossa frente, o que vamos falar? “Eu sou Fullanno, o grande tangedor; já gravei mais de 20 CDs e toquei no grande congresso diante de 5000 pessoas. Só por isso você vai sair, seu demônio mal educado! Você não esta vendo quem sou eu?” Provavelmente o demônio irá rir da cara do Fullanno, como aconteceu com os filhos de Ceva (Atos 19.13-16).
O espírito maligno conhecia muito bem a glória de Deus que rodeava Paulo. Hoje vemos pessoas pegando carona na unção de outros, dizendo: “Eu sou músico de (...), cujas musicas são ouvidas em todo o Brasil. O demônio vai dizer: “Conheço (...); mas você, quem é?” Se estamos, no entanto, habituados a atrair a presença de Deus, provavelmente nem precisaremos falar nada; o próprio demônio já saberá que somos motivo de preocupação no inferno e procurará ficar longe.
Eu creio que quando a presença de Deus se manifesta no local nós, os ministros, não precisamos falar: “Ele está aqui”; ou: “Sinta a presença do Senhor”. Ele não precisa de apresentadores de palco para mostrar que Ele chegou. Além disso, existem duas únicas opções: ou Ele vem ou não vem. Não precisamos forçar a barra ou medir a presença de Deus pela quantidade de aplausos ou barulho. Quando o Senhor comparece mesmo às nossas reuniões, não precisamos anunciá-lo – Ele mesmo se apresenta. Existem muitas simulações da presença de Deus, fórmulas que já estão até cansativas e sem criatividade, frases repetidas e jargões ultrapassados. Devemos, na verdade, ser mais honestos quando Ele não vem e dizer: “Irmãos, vamos nos humilhar e orar até que Ele venha, pois Ele está longe deste lugar”.
Vamos orar e pedir a Deus que nos esconda e nos livre de toda essa onda de fama e “moda gospel”: muito barulho e pouco poder; muito trovão e pouca chuva.
Jorge Russo (Jorjão)
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